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#32

por fernandodinis, em 27.11.14

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publicado às 09:02

#31

por fernandodinis, em 26.11.14

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publicado às 08:43

Apontamentos #13

por fernandodinis, em 25.11.14

Não existe aproximação de inverno que não me remeta às memórias da Praia Azul. O vento frio e permanente não deixando respirar, dificultando o caminhar pelas dunas, e o estrondo do mar, um coro impossível de reproduzir, nem com cem mil homens a gritar a uma só voz. (isto imaginando as vozes de cem mil homens, passamos a vida a supor, e pior que isso, a imaginar coisas sempre impossíveis como irreais). Não chovia, mas tenho em crer que o vento levantava a espuma das ondas antes de estas morrerem na areia, e por fim talvez algo que se parecesse com chuva, visto que os cabelos ainda compridos a ficarem revoltos. Alguém me fotografa a caminhar numa dessas dunas, tanta areia como o grão do filme a preto e branco, e eu gozando de exotismo romântico, uma tentativa de estética numa vida ainda imberbe, onde conseguia já imaginar-me tão literário como cansado e resignado deste mundo um tanto desajustado, feio mesmo, de se viver. Só assim é possível explicar certas urgências. Nunca o medo de morrer, antes a certeza de se atingir o máximo dia após dia. Não interessa a direcção. Ou não interessava, visto que eu hoje tão diferente. O romantismo enfraquece se se perde a capacidade de dramatizar. Acontece-me a fortuna de sorrir e dar-me ao luxo de um dia ser apenas um dia. Amanhã outro. Aqui ou na eternidade. Se me tornei zen? Se substituí as ruas escuras das madrugadas pelas charnecas silenciosas? O que significa tudo isso se o mundo o mesmo: a mesma violência, a mesma injustiça, o eterno desfile de egos, tanto apego, tanto engano, tanta cegueira. Como recriminar quem levante voo de pontes? De escarpas? De quem adormeça para sempre volatizando-se em cápsulas? Não será tudo isto um sofrimento? (É um sofrimento, não o digo como budista, mas porque o vivo). E ficamos sem saber se hoje melhores dias que ontem, naquela Praia Azul tão ventosa e fria que os cabelos desalinhados e húmidos me dificultavam o andar pelas dunas. Os meus pés enterrando-se vários dedos, os cigarros a fumarem-se sozinhos pelo vento, nem fumo faziam, as ondas sim, a espuma levantando um nevoeiro localizado, uma cortina intransponível. E de volta com estas imagens transmutando-as em palavras na esperança de um dia se tornarem os papéis inesperados de uma qualquer gaveta; que um dia meio distraído me console quando a memória se tornar uma cabeça rareada de cabelo. Findou-se o romantismo negro dos princípios dos noventa, onde ainda se vislumbrava um brilho magnético nos olhos dos artistas, dos que se diziam e daqueles que não eram capazes de viver de outro modo. Mas havia lugar para tudo, porque as praias nos invernos eram espaçosas, tendo em conta os nossos passos difíceis pelas dunas de regresso aos carros, abandonados junto ao bar de madeira fechado. Havia tanto silêncio em nós perante o grito constante daquele mar medonho, cinzento claro, que visitávamos aquela praia como quem entra numa catedral, com o temor próprio da nossa pequenez.  Mas era assim que se vivia, enganando o mitigar de caminhos cada vez mais inacessíveis e inexistentes.

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publicado às 15:45

Bandas Sonoras #11

por fernandodinis, em 19.11.14

Schubert, Trio op. 100 - Andante con moto

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publicado às 08:56

#30

por fernandodinis, em 18.11.14

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publicado às 08:38

#29

por fernandodinis, em 17.11.14

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publicado às 09:03

Bandas Sonoras #10

por fernandodinis, em 14.11.14

Morrissey - Let Me Kiss You

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publicado às 09:45

Lista de Compras #6

por fernandodinis, em 12.11.14

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publicado às 11:28

Apontamentos #12

por fernandodinis, em 11.11.14

acho que me repito, mas só sopesando o quanto há ainda por descobrir, nasce esta vontade de escrever como se alguém me escutasse, e não havendo horas, eu pudesse a meu bel-prazer desvendar-me perante o desconhecido, não um eco da própria voz, prefiro imaginar um corpo com rosto, quase imóvel, a escutar-me com paixão (compaixão?)

sei que as palavras se amontoam, os discursos se sobrepõem, os diálogos empatam a fluidez da leitura, tudo quase a resumir-se a um grande ódio pela ordem, pelas coisas com nexo, a fazer sentido aos mais desatentos, não escrevo para os desatentos

- Não é para ti que escrevo

antes para mim próprio, para mim mesmo, nunca me decido qual a forma correcta, e enquanto houver indecisões, este caos será uma casa onde ocasionalmente uma janela a mostrar-me

- Agora é aqui que vives

e eu aceito, como não aceitar, se já deambulei como quem procura perder-se de propósito, não gosto desse escuro que me traz a solidão, não sei o que fazer com o mundo, e com toda a certeza o mundo pouco saberá o que fazer comigo, quando tanta gente, quando outros isto, quando aqueles aquilo

a sobrevivência é um depósito de promessas, quando alguma se concretiza, pulamos em frente, uma nova lufada de ar, todo o corpo entusiasmado a gritar é por aqui, é por aqui, quando afinal tudo desarrumado cá dentro, as velhinhas peças que não encaixam

- Como encaixá-las se não pertencem umas às outras?

toda a probabilidade de erro ser sempre maior que a restante, uma balança viciada, acho que me repito neste ódio pelas coisas sem nexo, tanta gente e este escuro que só traz solidão, há vozes dentro de mim quando deveriam haver frases audíveis, pessoas de carne e osso a ouvirem-me, mas tanto erro no humano, se até os deuses

- Errámos todos. Apaga-se tudo e começa-se do início

é tarde agora, por isso os mantras, por isso a respiração, o faro a apurar-se para se evitar apuros, e quando digo apuros são anos inteiros a viver o que não se quer, quando apenas uma única vida com deuses a errarem na nossa crença

- Começa-se do início

um dia não haverá retorno, o fio de ariadne a esvanecer-se num suspiro e tantas moradas que já nenhuma para chamar de casa

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publicado às 10:38

#28

por fernandodinis, em 11.11.14

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publicado às 10:00

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