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Bandas Sonoras #15

por fernandodinis, em 30.01.15

Noiserv - This is maybe the place where trains are going to sleep at night

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publicado às 14:58

 

Nuno Crato, ministro da educação, acerca das provas dos professores, pronunciou a sua sentença: “Quem dá 20 erros por frase não pode ser professor.” Vinte erros numa frase? Não estaremos a exagerar, senhor ministro? Sem tomar partido por nenhum dos lados (porque efectivamente acredito e conheço professores que escrevem incorrectamente), este número soa-me exagerado. Ou será que, afinal, a literatura de José Saramago influenciou todos os nossos professores, e todos eles se tornaram mestres nas longas dissertações? Porque há que ver objectivamente; dar 20 erros ortográficos numa frase, essa frase, ou estará toda ela mal escrita, ou então terá para cima de 40 palavras (evocando uma já ridícula média de 50% de erros). Confusos? Certamente!

Ora vejamos. Uma frase de vinte palavras:

“O autor do texto quis expressar com esta afirmação a importância de expor os seus sentimentos, e ainda aludir à sua condição social, reforçando assim a ideia da precaridade vivida na sua época.”

Muito bem, mais coisa menos coisa, 20 palavras. Para existir a tal média de 50% de erros, teremos de ter uma frase mais longa; algo como:

“Sabendo que na época se vivia precariamente, o povo era forçado a trabalhar nos campos, deixando para segundo plano a alfabetização, tão importante para o seu futuro, como mais tarde se viria a verificar pelas baixas alternativas de emprego, impossibilitando-os de concorrer a anúncios com maior exigência académica, remetendo-os para os trabalhos focalizados no sector primário, com ordenados diminutos!”

Ufa! Escrever frases com cerca de 40 palavras é obra. Não é para todos! Assim, é normal existirem erros, nem que seja a nível de sintaxe. Isto é apenas um exemplo. Um exemplo de que é quase impossível dar 20 erros ortográficos numa frase. Como serão essas frases? Coloquemo-nos no plano da adivinhação:

“O autor do têsto quiz espreçar com esta afirmassão a importânsia de espor os seus semtimentos, e ainda alodir há sua condisão sosial, reforsando açim a idea da percariadade vivida na sua hépoca.”

Não! Não acredito que seja possível dar 20 erros numa frase! Se queremos fundamentar tomadas políticas rebuscadas, que o façamos com a referida dignidade que deverá assistir a qualquer professor, e não ceder à resposta quente e fácil de quem parece não ter por onde pegar.

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publicado às 09:33

#61

por fernandodinis, em 28.01.15

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publicado às 08:33

#60

por fernandodinis, em 27.01.15

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publicado às 10:36

#59

por fernandodinis, em 26.01.15

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publicado às 10:54

#58

por fernandodinis, em 23.01.15

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publicado às 23:41

Lista de Compras #8

por fernandodinis, em 22.01.15

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Yukio Mishima - O Templo Dourado

 

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publicado às 11:27

Yukio Mishima

por fernandodinis, em 22.01.15

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 Foram águas a lâmina no teu ventre
que encenaste no último mergulho.
Não foram sangue nem lágrimas que de ti brotou,
nem sequer o tombo do corpo o derradeiro desmaio.
Era como se um rio frio te dividisse em dois
e quieto para doer menos fechasses os olhos e desses
início a uma mudez cinematográfica.
O que faltava às palavras para escolheres
o eterno orvalho das manhãs?

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publicado às 11:12

Ainda o Amor

por fernandodinis, em 21.01.15

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O tempo corre. Aprendemos e desaprendemos. Modificamos, ajustamos. Às vezes só precisamos de silêncio. Nunca nos faltou a certeza. Nunca tivemos dúvidas. Sabemos o que sabemos pelo tanto que sentimos. Não adianta fingir não sentir. Mais do que a partilha, o aceitar. Aceitar quem se é, com as mudanças permanentes que isso contém. Mas sempre mais próximos, mais maduros, equilibrados. Hoje é apenas mais uma data, um patamar de algo que cresce sem darmos conta. Quero envelhecer com um sorriso calmo e poder dar-te a mão, e isso bastar. Sobre quem fui e o que vivi é fácil chegar a esta palavra: Obrigado. Muito mais importante do que nos dar os parabéns. Obrigado.

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publicado às 11:07

Como se as mãos já carregassem algumas das cinzas que será o meu corpo. Não pode existir outra frontalidade perante a morte do que viver com a sensação de perda. A vida entra no declínio sempre que contamos e se chega ao valor negativo de tudo o que poderíamos ter sido. Um dia acorda-se e exclama-se «Estou velho». Ruas escuras, nomes ressoando, músicas antigas, tantas músicas antigas capazes de habitar poemas, flores afinal que vão perdendo a verticalidade. E assim o corpo, nunca o desejo, visto o desejo ser algo antes da matéria; não apenas uma ideia, uma vontade. Imaginar o desejo como a água de uma planta já cansada. Ele existe, o corpo existe, e tudo falha. Mas falo de aves, que enveredam por longas viagens. Faltar-nos-á esse incómodo, o desconforto de não ter ao que chamar de casa. Acredito que a habilidade seria maior, e a resistência, e que durante muitos anos as músicas antigas perdurassem como uma consoladora novidade, um resquício de brilho, algo parecido a um sorrir. Não os lábios, apenas aquele pequeno incêndio dos olhos, suficiente, oculto, mas inequívoco.

Como te dizer; a vida é uma separação total ao que chamamos de corpo. O que é um corpo senão a soma de partes? E separando as partes, ao que se chega? Portanto é simples que se entende que exista uma ideia de nós. Mesmo que morramos. Cai-se no lirismo de dizer que existimos sempre que habitamos na memória de alguém. É esse o laço a criar com a vida? Deixar utensílios que mais tarde despoletem a memória do que somos? É por aí que passa a escrita? A música? A fotografia? Que fácil se torna idealizar a imortalidade com a arte como ideia, como vontade, como a água fresca que revigora a planta, a pequena poça onde as aves vêm bicar.

 

* Título retirado de um poema de Al Berto.

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publicado às 10:38

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