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#73

por fernandodinis, em 25.02.15

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publicado às 14:12

Bandas Sonoras #18

por fernandodinis, em 24.02.15

 

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publicado às 18:30

#72

por fernandodinis, em 24.02.15

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publicado às 14:05

#71

por fernandodinis, em 22.02.15

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publicado às 21:04

#70

por fernandodinis, em 22.02.15

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publicado às 14:07

Fico Até Tarde Neste Mundo #5

por fernandodinis, em 19.02.15

Como ligar palavras para o mundo ficar mais próximo? A infinita dúvida do humano, continuada, absoluta, por clarificar. A procura duma ligação com o todo aviva-nos a limitada forma da vida, um lugar inóspito, covis obscuros nos quais os passos improvisam a rota. Tantas formas para subsistir, gritar, criar algo ao qual chamar nosso. O corpo não acaba aqui, visto a razão continuar ligada, obstinada para alcançar o longínquo, o ainda não achado.

Substância, luz, som, cor; um dicionário vivo da ficção mas anacrónico para o tanto solicitado na procura. Alcançar transfigura a forma do vivo, a clássica busca do vago, o malabarismo próprio da criatura a improvisar, a narrar o tanto para o qual procura significado. Inglória batalha.

Mudo, afinal, fraco da luta, da prova gorada. O cansaço passa a habitar na acção. Um sono prolongado. A linha apagada, o fatal vácuo do fim. Tudo a transportar-nos para a fala dos batidos, para a mortificação das casas arruinadas. Somos folhas caducas, livros mortos. Alunos faltosos a falhar outro ano.

 

Nota: Este texto foi escrito sem o uso da vogal 'e'. Experimentem. 

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publicado às 14:03

Fico Até Tarde Neste Mundo #4

por fernandodinis, em 18.02.15

Tudo se banha de vermelho na rasa luz do nascer do sol. Perto o repicar de um sino faz voar um macaco de ramo em ramo. Os primeiros monges banham-se nas águas do rio corrente. Um sadhu mantém-se estático a meio de uma ponte de corda, que oscila à passagem de quem o ultrapassa. Alguém sobe um tronco com perícia, ceifando ramos com um machado ferrugento, os ramos caem no chão e depressa são colhidos por algumas vacas que lhes mastigam as folhas. Pelas estradas, mulheres caminham carregando sobre as cabeças grandes molhos das colheitas; não se percebe o que carregam, porque me detenho no seu semblante em esforço, nas roupas puídas e empoeiradas, nos pés descalços.

Nas ruas principais o caos é constante, as estradas ladeadas por bancas de venda, onde parece vender-se de tudo: fruta, legumes, especiarias, pentes, jornais, pequenos electrodomésticos. Há barbeiros que cortam cabelo nos passeios como engraxadores. De vez em quando, enormes elefantes produzem ainda maiores engarrafamentos, quando são forçados a atravessar determinado cruzamento, carregando incontáveis quilos das terras fecundas. O guiador exala fumo de um forte charuto enquanto lhe espanta as moscas que lhes pousam no corpo com uma toalha imunda.

Um muezim parece ter descido do minarete, continuando a gritar preces que junta à sua volta dezenas de pessoas, que lhe acedem com a cabeça e lhe exibem a palma das mãos. Há uma profunda harmonia inata nestas massas de gente, de castas, de religiões. Assim como os aromas carregados a gasolina, lixo, urina de cães esqueléticos. Todos os elementos se unificam num ambiente de bulício, parecem existir catástrofes a todo o momento.

Crianças fardadas que faltaram às aulas guiam alguns turistas. O que deles receberem será prontamente trocado por cigarros que fumarão nos becos ou nos degraus molhados da margem do rio. Riem à minha passagem ostentando a dentição branca, os olhos maviosos, sem ponta de pudor. O seu único sonho é uma scooter para guiarem frenéticos pelos obstáculos. Ao sabor do vento dançam as pequenas bandeiras tibetanas. Não se entende onde começa e acaba determinada lógica. Há quem medite neste antro de céu aberto, colorido, e se esqueça do ruído, dos estrondos, ou talvez os incorpore como um mantra sem significado.

Eu mantenho-me conscientemente perplexo, e forço-me a descrever o que nem os olhos conseguem abarcar na totalidade.

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publicado às 12:31

Lista de Compras #9

por fernandodinis, em 16.02.15

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publicado às 14:31

Fico Até Tarde Neste Mundo #3

por fernandodinis, em 16.02.15

Este movimento de aproximação, em arco, dissimulado, nunca directo, manifestamente ocasional. Se se dança, sem a mínima lágrima de suor ou restolhar de roupas. É algo que inflige magnitude e nos força, guerreiros desarmados à espera da pilhagem. E no semicerrar dos olhos um grito de chamamento, um concreto consentimento de cedência. Deixemo-nos ir porque já é música que se ouve.

Que nos seja sempre uma tarde plácida de primavera, os primeiros aromas da terra fecunda, uma charneca a sobressair ao longe. Um quarto virado a poente, a luz sépia a tingir o fundo da cama, sibilinas palavras, gestos lentos, um rumorejar de cidade. Ou que nos calhe um inverno impiedoso e uma casa junto ao mar, o vento a picar janelas, saraivada revolta que nos lembre o quente do estar aqui e agora, absortos num vinho escarlate que se bebe impunemente.

Conseguir dizer-te isto da forma mais fácil, sem cair no lugar-comum onde o desejo quase sempre nos encurrala. Escolher minuciosamente as palavras, sem exagerar, sem os ornamentos de quem já cegou, de quem já age de olhos abertos sem nada ver, todo errado de vontade.

Nomear-me «clandestino no teu corpo», e nele começar de novo o que tantas vezes se repete, em busca da novidade que nos arrebata, do espanto sempre diferente, um não respirar para que tudo seja sensação e pele e saliva; por fim uma mecânica força em embater, constante, como que infinita, para se chegar ao arroubo e assombro e cansaço e um «amo-te», como se só na loucura houvesse lugar para assumir esse «amo-te», exaurido e sorridente. A cama transformada numa extensa praia onde corpos deitados na areia, as ondas uma melopeia levando à sonolência, ao entorpecimento elástico dos amantes.

Tanto que te sinto neste pouco que te sei dizer. Há a certeza porém de aproximar-me cada vez mais, e acertar na definição do indizível, indecifrável, digo mesmo místico. É como deitar o cinzel à pedra, ver nela o já lá existe. Ou ainda as palavras que ficam por partilhar, porque só no silêncio se escutam, como as horas da noite, quando acordamos de um sonho e nos queremos situar no mundo, finalmente despertos.

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publicado às 11:24

Fico Até Tarde Neste Mundo #2

por fernandodinis, em 13.02.15

São fotografias interiores, fragmentos visuais, analepses, o espólio a que o escritor recorre amiúde para a construção de cenas e ambientes. Escrever uma memória é revivê-la, diz-se. O certo é que se torna útil no encontro do tom pretendido. Na escrita de um romance, empresa quase sempre levada a cabo ao longo de vários meses, não perder o tom é uma das prioridades. Não perder o pulso ao ritmo, à intensidade, ao afloramento desta ou daquela personagem, enfim, a lista seria extensa se fosse esse o propósito.

António Lobo Antunes mune-se destes álbuns fotográficos como poucos. Desordena a ortodoxa ideia que se tem de romance e parte em busca de um âmago que sabe existir, escavando (não existe outro conceito), enriquecendo as vozes que chegam já não como personagens de uma trama, mas como pessoas que podem existir e viver mesmo ao nosso lado. O resultado é uma inerente linguagem poética que nos espanta e assombra, que delicia e transtorna, densa e quase caótica (uma sala exígua cheia de pessoas a falar simultaneamente); onde o tom é mantido e conservado com invisível mas genial perícia.

Exemplo para que se registe que a nossa memória não serve apenas para a diarística. Revela-se antes um manancial a que o escritor dispõe tempo inteiro. Mas será ele livre de recorrer a essas galerias empoeiradas sem que seja apontado de saudosista? Escrever sobre um amor antigo, apenas porque ele fornece o ritmo para determinado conto, é sinónimo a querer reviver esse amor? Se é essa a porta escolhida do longo corredor das reminiscências quererá dizer que sentimos falta do eu que se foi ao vivê-lo anteriormente? Absolutamente que não. Eis o objectivo do meu texto.

É tentação fácil para qualquer leitor julgar o escritor pelas suas palavras. Encanta-se com o logro, pois quase sempre é abismal a clivagem entre o homem-escritor e o homem-pessoa. Os limites da ficção esboroam-se deliberadamente, o leitor quer acreditar afincadamente «ele viveu isto!», como se só assim possa o texto ganhar maior validade e verosimilhança. Esta liberdade e desvinculação terá de ser garantida a priori. Usufrua-se da história que nos é contada sem fazer dela um jogo de enigmas, véus por levantar, teorias conspiratórias.

Sentemo-nos a ler como quem assiste a um truque de ilusionismo. Deixemo-nos espantar e não percamos o encanto do espectáculo na forçosa teimosia em desvendar de que forma foi ele construído.

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publicado às 09:29

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