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Céu Nublado com Boas Abertas

por fernandodinis, em 25.02.16

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 © Fernando Dinis - All rights reserved

 

Há umas semanas, numa entrevista que dei para o Público, fizeram-me uma pergunta curiosa; se seguia a máxima ‘never meet your heroes’, no meu projecto fotográfico The Booklovers. Respondi que na maior parte das vezes, nem uma hora conseguia estar com os escritores, sendo escasso o tempo para me deslumbrar ou desiludir. Fotografar o Nuno Costa Santos foi a excepção. Não só me deslumbrei, como regressei do nosso encontro com a feérica ideia de que ainda vale a pena acreditar na Humanidade; o pensamento idílico de que cada pessoa tem algo de bom para partilhar e apreender. Um conceito que parece já não ter espaço na pressa dos dias de hoje.

Combinámos fotografar numa mercearia de bairro, de um indiano de Punjab, por onde passam inúmeras pessoas e histórias do quotidiano. Dos Aforismos de Pastelaria ao actual Melancómico, o traço imagético do Nuno consiste na abordagem dos dias simples, de questões que não irão mudar o mundo, mas que certamente mudarão a nossa visão sobre o mesmo. Circundar a visão alargada e distorcida, para passar a uma observação local e nítida.

Isto para chegar a Céu Nublado com Boas Abertas, a sua primeira obra longa, editada pela Quetzal. Sem querer revelar muito, até porque a leitura é mais do que recomendada, o romance assenta entre o seu regresso às origens e os escritos diarísticos do seu avô, num livro-espelho, alternado em analepses e aventuras improváveis, evocativas do absurdo de Kafka. Com uma mão fortíssima na escrita, sem nunca resvalar em eloquências, mune-se da prática dos seus textos concisos mas acertados, para nos apresentar duas histórias como um todo, lúcido e factual, mesmo nos momentos mais inesperados, onde o humor e ironia são tacitamente reconhecíveis e permanentes.

Uma homenagem ao seu avô que deixa já sementes a que um futuro Costa Santos repita e perdure os encantamentos históricos de uma família. Há quem possa cair na tentação de julgar a simplicidade como trivial. Convém lembrar que as premissas de Nuno Costa Santos estão nos episódios diários, na simples conversa com alguém que espreita a rua pela janela de casa, no pícaro personagem da terra que ornamenta os cafés locais, na suave resignação por tudo o que, tal como na vida real, tem a grande probabilidade em acabar mal. Ou nada disto, e sejamos conduzidos todo o tempo por uma mão invisível que nos segure e leve a uma realidade ficcionada, muito ao género de Vila-Matas.

Não existindo felizmente resposta para estas questões, resta a certeza de que em Nuno Costa Santos existe o olhar cirúrgico pelo que é genuíno e autêntico. Encontrar no comezinho a marca de um dia, a história possível, a beleza no que já é considerado banal e inócuo. E para isso é preciso tempo e estar pronto para se deixar levar. Característica cada vez mais rara em muitos escritores. E um grande escritor tem de estar disponível para viver as coisas pequenas da vida.

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publicado às 11:38

#9

por fernandodinis, em 23.02.16

Pouco se falou sobre esse beijo,
apenas que na pele em contraluz pareceu
nascer uma filigrana dos teus lábios
um relevo ténue que só com o tacto mais concentrado
se consegue na ponta dos dedos sentir
e voltar a beijar.

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publicado às 12:27

The Booklovers no Público

por fernandodinis, em 09.02.16

O P3 do jornal Público, fala sobre o meu projecto The Booklovers. Um grande obrigado pela entrevista e divulgação.

 

Entrevista:

http://p3.publico.pt/cultura/livros/19601/booklovers-ele-fotografa-aura-dos-escritores

 

Galeria:

http://p3.publico.pt/cultura/livros/19583/fotografar-escritores-para-ver-quem-esta-para-la-das-palavras

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publicado às 08:16


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