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#3

por fernandodinis, em 19.03.15

Há um lobo dentro desta fome
uma génese
embrionária de sobrevivência.
Há caminhos improváveis de luzes
evanescentes, corpos em situação de alimento, 
há qualquer coisa de sanguíneo
nas árvores de ruas despidas, adolescências
urgentes de loucura. Há mundos e dias,
flores e frutos, filigranas, ouro;
um manancial onde o poema se fecunda, desabrocha,
e trepa pelas paredes. Chega à boca feito fome,
feito lobo urgente, quente de frémito.
Há violência tácita. Há assombro
e tesão. Amor de salivas e luas.
Há um silêncio de verão, de praia incendiária,
tardes de janelas abertas ao fresco do oriente.
Há palavras feitas deus, acreditamo-las como
armas, braços e pernas apontados aos corações.
Somos a dura membrana dos instrumentos, a parede
melódica, onda a morrer no quebramar.
Tudo é escalarte, rubicundo, vermelho, rubro,
oh tudo é sangue na sede desta procura.

 

Somos mãos sobre a mesa a dividir pão.

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publicado às 10:38



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