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#5

por fernandodinis, em 31.03.15

São imagens sobrepostas, os ramos da árvore
perene, sobre a tua pele, tatuagens de sombra,
afinal ramos que no teu corpo quieto parecem veias
em dança, não de sangue mas de seiva, os teus pés
desnudos que o lençol descobre são as raízes revoltas,
linhas de água a procurarem fendas na terra, muitas
sensações antes de qualquer toque. Quero um vento forte
de dezembro, que arrebate os teus ramos, as tuas veias,
e levante o lençol como uma película fina, qualquer matéria
translúcida, e me devolva o teu corpo como uma complexa
matriz de caminhos insondáveis. Quero uma tarde de frutas
adocicadas, lábios pegando na pele, resina, uma perdição
qualquer de poema. O teu corpo frondoso como o tronco a
tingir o firmamento de revoltos veios, oh assombrosa delícia,
o doce permanente dos frutos, uma ponte entre nossa bocas
e um nevoeiro a impedir a noção de distâncias. Esquece
dezembro. Dança assim só na placidez de junho, no sangue
dos morangos apertados entre os dedos. Há calor
para que nem um lençol permaneça nessa árvore, o teu corpo
por inteiro entregue à nudez do que chamámos raízes.
E espraio-me nas folhas, feito vento, todo sensação.

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publicado às 14:04


2 comentários

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De M.J. a 31.03.2015 às 15:28

isto é tão lindo...
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De fernandodinis a 31.03.2015 às 15:31

Obrigado M.J.

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