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A Vida em Imagens

por fernandodinis, em 12.12.15

Photographer Arno Rafael Minkkinen - Water and SkyArno Rafael Minkkinen - Water and Sky - 1993, Fosters Pond

 

Dei conta que as fotografias que vou fazendo e colocando neste blog chegaram rapidamente ao número 100. Umas com maior significado do que outras, tornam-se uma história visual do que vivi no último ano. Como qualquer apaixonado pela fotografia, vejo inúmeros documentários com e sobre fotógrafos, e quase todos afirmam que se contam pelos dedos de uma mão as boas fotografias que se tiram num ano. No meu caso, muito sinceramente, desde 2012, ano em que comecei a fotografar "mais a sério", conto apenas duas ou três. Fazendo uma analogia à música, pode-se tocar piano todos os dias, mas não é todos os dias que compomos uma música. Contudo, se nunca nos sentarmos ao piano, não podemos esperar que a música aconteça por si mesma. Está aqui uma das razões por que se deve fotografar todos os dias. A outra é simplesmente porque nos move um impulso apaixonado que nem vale a pena tentar explicar. Ainda assim, sem serem imagens admiráveis, são as nossas imagens, as nossas histórias, as nossas vivências e, por vezes, uma assunção estética melhor ou pior conseguida. Mas fica. O registo impera e tem uma energia própria que me encanta. Há poucos dias, na galeria Barbado, vi a exposição do fotógrafo Arno Rafael Minkkinen. Haverá algo mais poético do que passar 40 anos da nossa vida a explorar o auto-retrato imiscuído na natureza? O corpo envelhece de imagem para imagem; a nudez assumida para que não exista qualquer referência temporal; e o meio onde um corpo ganha raízes e se mistura e enovela no mundo. A beleza do conceito é tão grande quanto a beleza das imagens. Tudo isto para chegar a um ponto importante: Não podemos esquecer que a fotografia não pode ser uma fonte de expansão do ego ou de agrado aos outros, mas sim um compromisso pessoal, quase sempre silencioso, ponderado, e fiel ao que somos, à forma como sentimos e olhamos o tanto que nos rodeia. Mais tarde, daqui a muitos anos, essas imagens terão uma voz própria. Não a queremos ouvir desencontrada do que julgámos ter sido.

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publicado às 20:31


2 comentários

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De frasesemcompromisso a 15.12.2015 às 17:20

Li e fiquei encantada com esta parte do texto: "Não podemos esquecer que a fotografia não pode ser uma fonte de expansão do ego ou de agrado aos outros, mas sim um compromisso pessoal, quase sempre silencioso, ponderado, e fiel ao que somos, à forma como sentimos e olhamos o tanto que nos rodeia. Mais tarde, daqui a muitos anos, essas imagens terão uma voz própria. Não a queremos ouvir desencontrada do que julgámos ter sido." Não pude evitar de comentar porque é o momento que vivo, fazendo um esforço, desculpe o exagero, "brutal", para ser fiel a mim mesma e às minhas imagens com voz própria. Agradeço ter lido o seu texto hoje. Um abraço, Yayá.
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De fernandodinis a 15.12.2015 às 21:54

Obrigado pelo seu comentário, Yayá.
Julgo que em qualquer 'entrega' artística, este momento acaba sempre por acontecer. Mais cedo a uns do que a outros. Porque atravessamos uma realidade dedicada ao consumismo, é fácil embarcar na massificação ou no que possa tornar-se rentável. Decidir ter uma voz própria é já sinal (para mim) de alguma maturidade.
Volte sempre!

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