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Acreditar na Humanidade

por fernandodinis, em 23.11.16

Yann-Arthus-Bertrand.jpg

Assisti ontem à segunda parte do filme Humans, um projecto do fotógrafo Yann Arthus-Bertrand. Um verdadeiro murro no estômago, ou se quisermos, uma silenciosa convulsão na nossa consciência. Não tenciono levantar grandes questões morais, visto que, perante os testemunhos apresentados, todos nos sentiremos fúteis, insensíveis e ignorantes (talvez mesmo hipócritas) perante o mundo ao qual todos pertencemos.

A condição humana é assim uma delicada extensão de limites contraditórios, de injustas visões, de decisões prepotentes e ainda, na maioria dos casos, de uma permanente postura de passividade.

Humans não nos traz nada que não saibamos, e é isso que nos inquieta. Mais do que qualquer palavra dita existe a força do olhar de quem testemunha, e de quem ouve e partilha; e é nesse olhar que tudo se revela. Um jogo simples e bonito que nos ilude a esperança de que o mundo se ouve a si mesmo.

Mas em que pontos tudo isto nos toca pessoalmente? Toca-nos, verdadeiramente? Há questões tão inquietantes e que nos baralham como a compra da roupa que vestimos. Conhecemos agora os rostos de quem trabalha numa fábrica têxtil no Bangladesh. Sabemos que contribuímos para a prática de uma exploração humana contínua e sem fim à vista, onde apenas lucram um ou dois investidores. Mas como viveriam essas mesmas pessoas se nem esse trabalho tivessem? Devemos ou não comprar roupa proveniente desses países? Estamos a ajudar ou a prejudicar? A resposta é simples e assustadora. Inventou-se um mundo de falsas necessidades, e aqui todos somos responsáveis pelas escolhas que fazemos.

Se a principal finalidade de Humans é conduzir-nos à reflexão, está mais do que conseguido. Reflectir é já um pequeno passo para uma futura decisão, decisão essa que levará a um comportamento e assim por diante.

Quero recordar o testemunho de um plantador de folha de coca da Colômbia. Apesar de subjugado à pressão dos traficantes, ganhava muito dinheiro, embora acabasse por gastá-lo em bebida aos fins-de-semana e em coisas que não precisava. Um dia reflectiu, e decidiu dedicar-se à plantação de cacau. Ganha menos, mas vive livre e de consciência tranquila. É uma mensagem de esperança. E é assim que eu gosto de pensar na humanidade.

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publicado às 11:25



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