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Apontamentos #12

por fernandodinis, em 11.11.14

acho que me repito, mas só sopesando o quanto há ainda por descobrir, nasce esta vontade de escrever como se alguém me escutasse, e não havendo horas, eu pudesse a meu bel-prazer desvendar-me perante o desconhecido, não um eco da própria voz, prefiro imaginar um corpo com rosto, quase imóvel, a escutar-me com paixão (compaixão?)

sei que as palavras se amontoam, os discursos se sobrepõem, os diálogos empatam a fluidez da leitura, tudo quase a resumir-se a um grande ódio pela ordem, pelas coisas com nexo, a fazer sentido aos mais desatentos, não escrevo para os desatentos

- Não é para ti que escrevo

antes para mim próprio, para mim mesmo, nunca me decido qual a forma correcta, e enquanto houver indecisões, este caos será uma casa onde ocasionalmente uma janela a mostrar-me

- Agora é aqui que vives

e eu aceito, como não aceitar, se já deambulei como quem procura perder-se de propósito, não gosto desse escuro que me traz a solidão, não sei o que fazer com o mundo, e com toda a certeza o mundo pouco saberá o que fazer comigo, quando tanta gente, quando outros isto, quando aqueles aquilo

a sobrevivência é um depósito de promessas, quando alguma se concretiza, pulamos em frente, uma nova lufada de ar, todo o corpo entusiasmado a gritar é por aqui, é por aqui, quando afinal tudo desarrumado cá dentro, as velhinhas peças que não encaixam

- Como encaixá-las se não pertencem umas às outras?

toda a probabilidade de erro ser sempre maior que a restante, uma balança viciada, acho que me repito neste ódio pelas coisas sem nexo, tanta gente e este escuro que só traz solidão, há vozes dentro de mim quando deveriam haver frases audíveis, pessoas de carne e osso a ouvirem-me, mas tanto erro no humano, se até os deuses

- Errámos todos. Apaga-se tudo e começa-se do início

é tarde agora, por isso os mantras, por isso a respiração, o faro a apurar-se para se evitar apuros, e quando digo apuros são anos inteiros a viver o que não se quer, quando apenas uma única vida com deuses a errarem na nossa crença

- Começa-se do início

um dia não haverá retorno, o fio de ariadne a esvanecer-se num suspiro e tantas moradas que já nenhuma para chamar de casa

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publicado às 10:38



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