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Deixem Passar!

por fernandodinis, em 15.12.16

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Vamos lá esclarecer de uma vez por todas este assunto. Onde está o Código de Conduta no que concerne à utilização das casas-de-banho das nossas empresas? Sabem aquele mini corredor que nos conduz do open space às portas de acesso aos urinóis, às sanitas, aos lavatórios com espelhos? Esse corredor não é um corredor: é o limbo entre o paraíso e o inferno, ou o bardo da primeira fase de morte de um budista (como queiram, só não me falem nos jainas, que estes wc’s não dispõem de poliban e chuveiro).

Vários mecanismos precisam de ser oleados no que concerne a este corredor. Em linguagem empresarial, há que agilizar os fluxos de pessoas no vai e vem, no entra e sai, mas principalmente quando não se entra e nem se sai. Aqui sim, preside a grande lacuna, e só quem já sofreu na pele (ou na bexiga, ou no intestino), entende a minha consternação e o porquê de estupidamente estar a escrever sobre este assunto.

Com as mulheres estamos esclarecidos. Há um pudor latente na movimentação dos corpos, um sorriso de grande respeito e quase nenhuma palavra trocada. O corredor assume nesses momentos uma nave de igreja manuelina, silenciosa e apenas alumiada por uma luz rarefeita que trespassa vitrais poeirentos.

O grande problema é com os homens. Com os homens é uma selvajaria. Desde expressões «fax para tóquio?», «mudar água às azeitonas!», «cuidado com a cerâmica…», povoam os diálogos de quem se cruza e segue o seu caminho. Ouviram? Segue o seu caminho! É aqui que são precisas as leis. Apenas conheço uma, tacitamente utilizada, para o bem de todos: Nunca se cumprimenta com apertos de mão um colega com quem nos cruzemos no corredor do inferno.

Agora o crucial problema: Homens que saem da casa-de-banho, com um sorriso de orelha a orelha, aliviadinhos, e decidem conversar com quem quer entrar, e que, geralmente, vem com o rosto rubicundo, o andar afectado, e uma pressa latente em cada movimento. Isto não se faz, meus amigos. Será preciso ser tão insensível que não compreendam que quem quer entrar na casa-de-banho o deseja como se fosse a última coisa a fazer enquanto vivo? E por azar, apanha-se sempre aquele colega com quem partilhamos gostos musicais:

 - E o novo dos Metallica?

- Ainda não ouvi! (mesmo que o tivéssemos ouvido).

- Eh pá, está na onda do Master e do And Justice! Grandes introduções, muito instrumental, solos a gastar. Os gajos finalmente conseguiram e viste-os no Jimmy Fallon? Com os instrumentos da Chicco? Eh pá, mas ouve o disco, vale mesmo a pena e…

- Ok, vou ver se ouço.

E os que partilham o gosto pela corrida?

- Tens treinado?

- Nem por isso (é claro que treinamos, mas naquele momento só queremos desovar como um salmão ao atingir a nascente do rio!)

- Eh pá, tenho treinado a sério! Tempos de 4,40! As meias de compressão ajudam, mas também não ajudam assim tanto! Na meia-maratona experimentei os Boost, mas acho que sou muito pesado para aqueles ténis. Os Asics são feios, os gajos borrifam-se para o design, mas eles sabem o que fazem! Tenho passada de pronador, sabes? Os reforços laterais são essenciais! Foste à da EDP?

- Não, estive constipado! - E nós à espera, a tentar contornar o colega, a pessoa, o diabo!!

- E a São Silvestre? Essa não podes perder!

 - Sim, essa não perco!

E somos quase sempre rudes e impiedosos ao virar costas e entrar na casa-de-banho. Se for preciso, esse colega ainda pensa de nós:

- Bolas! Que parecia levar o fogo no cú!

Amigos, se já fizeram o vosso serviço, não sejam maçadores nesse mítico corredor. Até porque, na grande maioria das vezes, esse vosso colega que vai à rasquinha, senta-se ao vosso lado o dia inteiro. Mas aí já estão caladinhos, não é? A mostrarem-se muito compenetrados no vosso serviço, não é? Caladinhos para o chefe pensar que dão o máximo, não é? Cagões…

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publicado às 15:56


2 comentários

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De Teresa a 23.01.2017 às 18:28

A "nossa" não é assim tão diferente da que descreve como "vossa" nem tão idílica como imagina. Há de tudo e para todos os (des)gostos.
E a mesma reacção a quem não sabe ser sociável de cueca na mão... ou quase.

Porque te(re)mos tanto medo ao silêncio? Porque basicamente é disso que se trata; preencher o silêncio (insuportável para tantos) - a repetição ad nauseaum do "está frio" "esta chuva" e outros blahs matutinos e achar que todo o encontro obriga a um "dedo de conversa". Porque temos medo do silêncio. De quem pouco diz. De quem não se excita à mínima e em qualquer situação...
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De fernandodinis a 24.01.2017 às 09:29

Completamente de acordo Teresa.
Volte Sempre!

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