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Síndrome Micra

por fernandodinis, em 20.01.17

1996-nissan-micra-1.jpg

micra1.jpg

 

Já viram o novo modelo Micra, da Nissan? Parece que a marca quer nesta quinta geração passar despercebida à terceira idade. 

Sem querer ser mauzinho, digam lá se não concordam, que se existe público-alvo bem definido no mercado automóvel é o dos Micras?

São evidentes os sintomas: o carro que serve para ir às compras aos sábados de manhã, à missa aos domingos e às consultas no hospital. Ponto. O resto do tempo? Garagem com ele. 

O carro que a senhora reformada diz ser 'jeitosinho', que o Toyota Corolla do marido até  é um carro óptimo, mas este é mais maneirinho para fazer os 3,5 km até ao mercado ou ao Lidl às quintas de manhã. O carro cujas palas de protecção solar estão sempre para baixo e ao serviço, mesmo que esteja noite cerrada. O carro que dá de comer a muitos e muitos bate-chapas do nosso país, carimbados com todos os pilares e quinas das garagens. O único carro capaz de fazer a A5 a 65 km/ h na faixa do meio, para evitar aquelas saídas abruptas que não existem. Não é para todos. Há que ter perfil para conduzir um Micra. 

Mas também é o primeiro carro de muitas raparigas de 18 anos, oferecido pelos pais, porque agora já precisa para ir  para a faculdade estudar Farmácia. São comprados à vizinha idosa do lado, que já não conduz e que estão num estado irrepreensível, nunca tendo mais de 67000 quilómetros, sempre assistidos na marca, embora já tenham levado 89 discos de embraiagem.

O novo modelo está a pensar no segmento B, de linhas arrojadas, cores psicadélicas e consola central que parece um tablet com as apps inteiras da Google Play. Estão claramente a piscar o olho à malta dos Yaris! E arriscam-se a que este mercado passe para os Hondas Jazz.

Estamos prestes a perder um entretenimento essencial para suportar as filas de trânsito. Façam vocês mesmo a experiência, enquanto eles andam por aí, e espreitem para dentro de um Micra e comprovem. É certinho.

 

Ps: para que não me levem a mal, existem outras síndromes. Isto não é só dos Micras. É a dos Polos tunnings da geração 90 a ouvir hip-hop, dos Smarts inquietos de trintões executivos que estão atrasados para a reunião da sua start-up, dos BMW’s sem piscas que esticar o braço só para passar cartões de crédito e das carrinhas Golf familiares com motores potentíssimos sempre a assapar: porque os meninos casam, têm filhos, mas não perdem a guelra. Ora comprovem lá.

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publicado às 15:01


3 comentários

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De Anónimo a 20.01.2017 às 15:22

Maravilhoso!!!!
Acho que depois deste post vai haver muita gente a olhar para os Micras de outra forma! E sem querer, porque o nosso cérebro é lixado, vão ver uma quantidade tal de Micras como nunca viram na vida!

NP
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De Papagaio Giló a 21.01.2017 às 09:08

Bom dia... às vezes falta uma alma que nos compreenda, no mundo da bloguice... muita manta, muito chá, muita lareira ( até em junho!!!), muito rimel, baton... e compras e embrulhos até sair pela goela! Já nem vou falar de outros "sintomas"! Por isso, esta análise da "revista turbo" é um bálsamo, para mim!
Um post de assinalável interesse e de aguçada perspicácia ( quase chorei, irmão!!!!).
Papagaio
P.S. Existe alguma razão particular para o Qashqai não ter sido incluído na análise psicológica?
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De fernandodinis a 21.01.2017 às 13:08

Obrigado Papagaio! As tuas palavras soam-me genuínas. Prometo que o meu próximo estudo sociológico será sobre os Qashqai. Até porque, há mesmo muito a dizer sobre eles.

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