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O novo dicionário de Jorge Jesus

por fernandodinis, em 06.06.18

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Confirmado o acordo com o clube Al-Hilal da Arábia Saudita, e sabendo das dificuldades que o mister tem com a aprendizagem de novas línguas, estou a desenvolver um pequeno dicionário de forma a que tudo seja mais simples nos primeiros tempos. É óbvio que as entradas lexicais são infinitas mas temos de começar por algum lado. Podemos tornar isto uma espécie de Priberam-Jorge-Jesus-Nas-Arábias. Eis algumas das palavras que poderão ser mais necessárias nas primeiras impressões:

 

Comer - al-moço

Comer carne - al-mondegas

Comer verduras - al-face

Comer peixe - al-forreca

Enganar o árbitro - al-drabar

Dia de descanso - al-mofada

Conferência de imprensa - al-tifalante

Carro do clube - al-fa romeu

Incentivar jogadores - al-cochete

Oitchenta e oitcho - al-garismos

Peanuts - al-cagóitas

 

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publicado às 15:32

O novo disco do David Fonseca

por fernandodinis, em 28.05.18

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O novo disco do David Fonseca, Radio Gemini, esconde um segredo muito simples de desvendar, ainda que pareça inacessível a muitos outros artistas: divertimento. Já o sabíamos 'libertado' do comercialmente suposto, e agora, nessa liberdade criativa, vemo-lo a divertir-se. 

Afianço que neste divertimento não existe bagunça, libertinagem ou desvario sonoro. É um divertimento do genial que resolve por momentos usar as suas capacidades técnicas num trabalho sem limites definidos, deixando-se absorver no próprio fluir onde determinadas canções levam a outras. 
Na música Tell me Something I Don't Know, uma das minhas favoritas do disco, encontramos algo de tão inesperado que só se pode aplaudir a permissividade com que David Fonseca encara o seu próprio divertimento. E é nesta coragem eclética (a lembrar o seu homónimo David Byrne) que melhor se distingue quem faz as coisas bem e com prazer.
Mantém-se ainda o apurado sentido estético, visual mesmo, ao qual já nos habituou em outros trabalhos. O vídeo de Oh My Heart seria banalíssimo, não fosse um trabalho profundo na fotografia, transformando-o num fiel elo de ligação à boa disposição do disco sonoro.
Há poucas pessoas tão completas enquanto artistas como o David Fonseca. Se as redes sociais são exímias em disseminar vacuidade, têm de conseguir também espalhar o que de bom e assinalável se faz por cá. Eu já fiz a minha parte.

 

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publicado às 22:14

Obrigado, Philip Roth

por fernandodinis, em 23.05.18

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Morreu Philip Roth. Consecutivamente apontado como merecedor do Prémio Nobel da Literatura, torna-se mais um escritor enorme ao qual ficará envolta esta sombra, esta falta (falha?), a assunção de um trabalho de 3 dezenas de romances que muito agitou a visão da realidade americana. Não tenho dúvidas. Pessoalmente considero que a janela temporal escapou, a escolher-se um americano, aquando a atribuição a Bob Dylan. Desde 2012 que se sabia que Roth não voltaria a escrever. Esperavam o quê? A eternidade está garantida, obviamente; bastar-nos-á reler toda a sua obra, mas fica um sabor amargo, de desalento, injustiça e vacuidade, bem à semelhança da postura premonitória do seu alter-ego.

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publicado às 14:49

Treinar para o Verão

por fernandodinis, em 21.05.18

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As mulheres sabem-no melhor. O verão aproxima-se e disparam as inscrições no ginásio ao pé do escritório, as marmitas ficam mais leves com a salada primavera em vez dos rojões à transmontana e a palavra detox é transformada num sufixo nominal no vocabulário dos novos dias. Sumodetox, chadetox, batidodetox, broademilhodetox e por aí adiante. Amaldiçoam-se os fatos de banho da Women’Secret com aquelas novas argolas, porque está visto que as gorduras vão fugir por ali e aumentar drasticamente o número de mamilos no corpo e opta-se por um fato de banho simples mas de tamanho inferior, assim para servir de incentivo e ao mesmo tempo como voz da consciência na hora de alambazar um saco de gomas da Tiger.

Com os homens é diferente? Nada disso. Somos é mais discretos nas escolhas da dieta e menos pragmáticos nas resoluções. Talvez por isso, os resultados fiquem sempre aquém do expectável. Sofríveis, portanto. Mas se fazemos alguma coisa quando chega o verão e começamos a pensar nas primeiras idas à praia? É claro que fazemos, e garanto-vos que tudo aquilo que mais queremos é não parecer que acampámos junto ao museu Cosme Damião, em dia de bola, a mamar couratos e imperiais sempre no modo All You Can Eat.

Vamos ao que interessa. Somos uns alarves a comer e a beber e temos uma cena que se chama barriga. Inscrevemo-nos no ginásio? Ainda gordos? Nunca! Primeiro temos de garantir que a barriga diminui e se parece apenas com a câmara-de-ar de uma jante 16, e só depois é que nos mostramos no ginásio. Hoje as apps digitais proporcionam uma Personal Trainer decente, se bem que, na maioria das vezes, com sotaque brasileiro. Ainda assim começamos e avançamos cheios de gana. Instala-se esta e aquela, e aqueloutra, e mais uma, e esta também, e quando damos por isso o que acontece? Temos um smartphone a parecer um catálogo gay de serviços premium ou algo de muito parecido (não tenho a certeza por não ser consumidor. Não sei, não faço ideia e não quero saber. Tenho uma barriga proeminente e isso chega de desgraças!)

Quem nunca arrastou estas apps para a última página do ecrã do telemóvel, para que os olhares intrusos no metro não pensem que sejamos uns tarados? E como explicar aos nossos filhos? Pior; como explicar às nossas mulheres? Depois pensamos aquelas coisas trágicas. Se me acontece alguma coisa, espreitam-me o telemóvel e vão pensar o quê? (é a mesma teoria do “Filho, anda sempre com a roupa interior impecável”).

Os homens sofrem muito com a chegada do verão. E digo-vos, fartamo-nos de dar no duro para parecermos mais levezinhos. Há dias em que conseguimos fazer 3 séries seguidas da app Have Your Six Pack Finally! E o que custa. E a sede que dá. Só mesmo com uma cervejinha para acabar.

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publicado às 16:20

Tributo a Paula Rego

por fernandodinis, em 11.05.17

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Colagem - 2017

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publicado às 19:59

A desculturação do Silêncio

por fernandodinis, em 03.04.17

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Tinham-se apaixonado um pelo outro só Deus sabe porquê. Mas quando entraram em contacto directo mútuo (…) a companhia exibicionista e ruidosa dela fazia-o retrair-se num embaraço (…). E a minha simpatia ia sempre toda para o meu pai (…) pareço-me muito com ele, e nem um bocadinho com a minha mãe. Lembro-me de como, bem pequenina ainda, eu me encolhia toda ante a sua exuberância. Com o seu feitio, ela constituía uma permanente invasão da privacidade de cada um.

A Ilha, Aldous Huxley

 

Que força impele variadas pessoas serem assim? De onde provirá a energia que alimenta este exibicionismo constante? Não será apenas uma conduta que as fortalece socialmente? O que significa afinal o silêncio para todos nós e para estas pessoas em particular?

Todos teremos alguém conhecido com estas características: um parente que monopoliza o jantar de família, um amigo que só os seus problemas são significativos e urgentes, um colega de trabalho que ruidosamente tagarela, aparentemente imerso numa exaltação que não lhe permite ter o discernimento de que poderá incomodar o trabalho dos outros; ou ainda, que as suas piadas serão sempre bem aceites, pois se não fosse o seu humor, todos estariam sorumbáticos a trabalhar. Há em todos estes casos uma auto-promoção, uma assunção de que os seus discursos não só são válidos como necessários aos demais. São pessoas que requerem a atenção constante de quem os rodeia.

Num mundo electrizante, o silêncio tornou-se um dos bens mais preciosos dos tempos modernos. Mas como olhamos para este bem, se afinal tantas pessoas fogem dele? Existe uma errada aculturação do silêncio. Lembremo-nos dos locais onde ainda crianças nos pediam silêncio: na missa porque deus ouve, nos cemitérios para não incomodar os mortos, na escola para não ficarmos de castigo, em casa a brincar porque o pai lê o jornal e depois ralha. O silêncio sempre nos foi pedido em forma de obrigação e sob pena de um castigo, de maior ou menor consequência.

Seguindo o excerto de Huxley “com o seu feitio, ela constituía uma permanente invasão da privacidade de cada um”, há algo mais forte do que incomodar os outros devido a uma visão errada do silêncio. Estas pessoas sentem monotonia quando deveriam sentir tranquilidade, sentem vazio (e este vazio ameaça-as) em vez de completude. Existem portanto más recordações do silêncio para que exista a necessidade constante de o desvirtuar e evitar.

O homem social é ginasticado para ter uma conversa fluente. Um vendedor vende mais se falar com eloquência. Um locutor de televisão é exímio quando consegue improvisar palavras para se atingir a hora certa do bloco de publicidade. Não importa afinal a mensagem propriamente dita, é sim imperioso que os silêncios não ocorram. Congratula-se a pessoa que esteve a fazer conversa como uma pessoa simpática, e castiga-se o silencioso que parece estar sempre a observar os outros como carrancudo. Voltando à infância, recordem-se do famoso “Estás tão caladinho, só podes estar a tramar alguma!”

A grande dificuldade em muitas pessoas meditarem é, logo à partida, o não aceitarem o ruido que o silêncio tem. Não se trata de contradição. Quando se medita - a máxima procura consciente do silêncio - a nossa concentração foge facilmente da respiração para o fugaz desenrolar de pensamentos, tantos, que se torna difícil abstrair-nos deles. É como se, portanto, eles gritassem ao ponto de perturbar a nossa meditação. E não serão estes pensamentos a escondida razão para que muitas pessoas não consigam meditar? Para que, finalmente, fujam do silêncio que os despoleta, evitando um confronto entre as vozes do interior (involuntária) e do exterior (deliberada/forçada)?  

Ainda que para muitos o silêncio seja tristeza e melancolia, para outros será alívio e bem-estar. É tempo de interiorizar uma nova importância ao silêncio e elevá-lo a uma condição indispensável à quietude prazerosa.

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publicado às 11:24

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publicado às 13:41

Em Março

por fernandodinis, em 14.02.17

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 Em Março será editado o meu novo disco Improvisações. Até breve.

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publicado às 08:54

No Top

por fernandodinis, em 02.02.17

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Parece que o meu disco Arquivo é o segundo mais vendido na sua categoria na página da Bandcamp. Bom, bom, era eu não precisar de trabalhar mais. Mas depois ia ser uma chatice, só ter de escrever e compor e fazer fotografia. Não. Não vou deslumbrar-me com as vendas (que até ao momento não fariam uma almoçarada de sushi exótico numa cobertura de hotel). Ainda assim, quem tiver curiosidade que passe por lá e ouça um pouco. Quem gostar que compre, que isto anda mal para todos.

Uma nota para a pianista Kimiko Ishizaka que ocupa o primeiro lugar. A tocar Bach, também eu.

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publicado às 08:46

Saber Parar

por fernandodinis, em 27.01.17

 

É cada vez maior o número dos famosos casos de 'burnout', uma designação moderna do esgotamento e consequentes estágios de depressão. Parece que as pessoas só acordaram para este 'acontecimento' quando o padrão se instalou nos gestores de topo e de altos cargos directivos. Como se este problema (doença?) só através deles ganhasse importância, ou pelo menos, uma maior disseminação da sua existência e consequente aceitação social. A palavra Mindfulness não 'magoa' tanto como terapia, meditação ou 'ajuda psicológica'. Mas não são estas questões semânticas que me preocupam. Temos um verdadeiro problema actual. 

Há que saber parar. Grandes empresas mundiais já dispõem de salas dedicadas à meditação. A Google é uma delas, sendo um dos executivos de topo, Chade-Meng Tan, o próprio orientador dessas meditações.

Medito há 8 anos. Experimentei ao longo deste tempo as mais variadas vertentes. Meditações hindus, tibetanas, ayurvédicas, zen, yoguis, activas, xâmanicas, etc... Na verdade, todas elas têm muito em comum e a sua finalidade é a mesma. Não acho que exista necessidade em percorrê-las todas para o mais importante: Meditar. Não é sequer necessário (ao contrário do que muitas pessoas pensam) aderir a esta ou àquela religião. Meditar é respirar, é concentrar a nossa atenção para que não dispersemos, é virarmo-nos para dentro e conhecer melhor a nossa essência. Os resultados são tão visíveis como aqueles para quem decide praticar um desporto. Há estranheza, curiosidade, desenvolvimento e paixão. Exercitar o nosso físico é fundamental, assim como a nossa mente, treinar a nossa concentração e conhecer os nossos limites para que saibamos estar atentos aos sinais internos do nosso corpo. A meditação é também isto.

Pessoalmente, identifico-me com a meditação Zen. Durante os longos minutos de imobilidade, é necessário estarmos totalmente confortáveis. Para quem não conhece, existem estas almofadas, chamadas Zafu, que são óptimas para nos sentarmos no chão, confortavelmente, cruzando as pernas e deixando assentar todo o tronco. Permite as costas direitas, as pernas relaxadas (evitando as dormências musculares), e uma respiração fluída. Para quem precisa 'Saber Parar', é um bom começo. Assim como comprar ténis novos nos dá vontade de correr e treinar, esta almofada pode ser um verdadeiro desbloqueio a esta prática. Ficam algumas sugestões. Cliquem e vejam as características.

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publicado às 12:31


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