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Artur Poeira #5

por fernandodinis, em 19.06.19

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publicado às 08:46

Ainda está tudo por inventar

por fernandodinis, em 20.02.19

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Lincoln no Bardo lembra-nos que a ficção estará sempre viva. Que por mais surreal que seja (a maior parte das vezes, infelizmente) a realidade, nada conseguirá ultrapassar o fascínio pelo que é inventado. O romance é novamente reescrito. As estruturas antigas desaparecem para dar lugar a um sem número de vozes que, embora pareçam aleatórias, vão tecendo uma sólida e bem montada história. As frases ganham odores e cores com uma facilidade que nos cativa e compromete, e o assunto, sendo pesado e à primeira vista indesejado, prende-nos com profundas tiradas de humanidade, sobre quem fomos, o que seremos, o que poderíamos ter sido. Uma avalanche de assédios intelectuais, sempre a colocar o leitor à prova, com novas regras e (até) novos símbolos. À semelhança de Rayuela do Julio Cortazar e Se Numa Noite de Inverno do Italo Calvino, George Saunders estreia-se não com um romance, mas com um livro que mais uma vez nos dá a certeza de que nem tudo está escrito, de que ainda é possível acreditar no impossível e no imprevisível.

publicado às 21:47

O novo dicionário de Jorge Jesus

por fernandodinis, em 06.06.18

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Confirmado o acordo com o clube Al-Hilal da Arábia Saudita, e sabendo das dificuldades que o mister tem com a aprendizagem de novas línguas, estou a desenvolver um pequeno dicionário de forma a que tudo seja mais simples nos primeiros tempos. É óbvio que as entradas lexicais são infinitas mas temos de começar por algum lado. Podemos tornar isto uma espécie de Priberam-Jorge-Jesus-Nas-Arábias. Eis algumas das palavras que poderão ser mais necessárias nas primeiras impressões:

 

Comer - al-moço

Comer carne - al-mondegas

Comer verduras - al-face

Comer peixe - al-forreca

Enganar o árbitro - al-drabar

Dia de descanso - al-mofada

Conferência de imprensa - al-tifalante

Carro do clube - al-fa romeu

Incentivar jogadores - al-cochete

Oitchenta e oitcho - al-garismos

Peanuts - al-cagóitas

 

publicado às 15:32

O novo disco do David Fonseca

por fernandodinis, em 28.05.18

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O novo disco do David Fonseca, Radio Gemini, esconde um segredo muito simples de desvendar, ainda que pareça inacessível a muitos outros artistas: divertimento. Já o sabíamos 'libertado' do comercialmente suposto, e agora, nessa liberdade criativa, vemo-lo a divertir-se. 

Afianço que neste divertimento não existe bagunça, libertinagem ou desvario sonoro. É um divertimento do genial que resolve por momentos usar as suas capacidades técnicas num trabalho sem limites definidos, deixando-se absorver no próprio fluir onde determinadas canções levam a outras. 
Na música Tell me Something I Don't Know, uma das minhas favoritas do disco, encontramos algo de tão inesperado que só se pode aplaudir a permissividade com que David Fonseca encara o seu próprio divertimento. E é nesta coragem eclética (a lembrar o seu homónimo David Byrne) que melhor se distingue quem faz as coisas bem e com prazer.
Mantém-se ainda o apurado sentido estético, visual mesmo, ao qual já nos habituou em outros trabalhos. O vídeo de Oh My Heart seria banalíssimo, não fosse um trabalho profundo na fotografia, transformando-o num fiel elo de ligação à boa disposição do disco sonoro.
Há poucas pessoas tão completas enquanto artistas como o David Fonseca. Se as redes sociais são exímias em disseminar vacuidade, têm de conseguir também espalhar o que de bom e assinalável se faz por cá. Eu já fiz a minha parte.

 

publicado às 22:14

Obrigado, Philip Roth

por fernandodinis, em 23.05.18

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Morreu Philip Roth. Consecutivamente apontado como merecedor do Prémio Nobel da Literatura, torna-se mais um escritor enorme ao qual ficará envolta esta sombra, esta falta (falha?), a assunção de um trabalho de 3 dezenas de romances que muito agitou a visão da realidade americana. Não tenho dúvidas. Pessoalmente considero que a janela temporal escapou, a escolher-se um americano, aquando a atribuição a Bob Dylan. Desde 2012 que se sabia que Roth não voltaria a escrever. Esperavam o quê? A eternidade está garantida, obviamente; bastar-nos-á reler toda a sua obra, mas fica um sabor amargo, de desalento, injustiça e vacuidade, bem à semelhança da postura premonitória do seu alter-ego.

publicado às 14:49

Treinar para o Verão

por fernandodinis, em 21.05.18

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As mulheres sabem-no melhor. O verão aproxima-se e disparam as inscrições no ginásio ao pé do escritório, as marmitas ficam mais leves com a salada primavera em vez dos rojões à transmontana e a palavra detox é transformada num sufixo nominal no vocabulário dos novos dias. Sumodetox, chadetox, batidodetox, broademilhodetox e por aí adiante. Amaldiçoam-se os fatos de banho da Women’Secret com aquelas novas argolas, porque está visto que as gorduras vão fugir por ali e aumentar drasticamente o número de mamilos no corpo e opta-se por um fato de banho simples mas de tamanho inferior, assim para servir de incentivo e ao mesmo tempo como voz da consciência na hora de alambazar um saco de gomas da Tiger.

Com os homens é diferente? Nada disso. Somos é mais discretos nas escolhas da dieta e menos pragmáticos nas resoluções. Talvez por isso, os resultados fiquem sempre aquém do expectável. Sofríveis, portanto. Mas se fazemos alguma coisa quando chega o verão e começamos a pensar nas primeiras idas à praia? É claro que fazemos, e garanto-vos que tudo aquilo que mais queremos é não parecer que acampámos junto ao museu Cosme Damião, em dia de bola, a mamar couratos e imperiais sempre no modo All You Can Eat.

Vamos ao que interessa. Somos uns alarves a comer e a beber e temos uma cena que se chama barriga. Inscrevemo-nos no ginásio? Ainda gordos? Nunca! Primeiro temos de garantir que a barriga diminui e se parece apenas com a câmara-de-ar de uma jante 16, e só depois é que nos mostramos no ginásio. Hoje as apps digitais proporcionam uma Personal Trainer decente, se bem que, na maioria das vezes, com sotaque brasileiro. Ainda assim começamos e avançamos cheios de gana. Instala-se esta e aquela, e aqueloutra, e mais uma, e esta também, e quando damos por isso o que acontece? Temos um smartphone a parecer um catálogo gay de serviços premium ou algo de muito parecido (não tenho a certeza por não ser consumidor. Não sei, não faço ideia e não quero saber. Tenho uma barriga proeminente e isso chega de desgraças!)

Quem nunca arrastou estas apps para a última página do ecrã do telemóvel, para que os olhares intrusos no metro não pensem que sejamos uns tarados? E como explicar aos nossos filhos? Pior; como explicar às nossas mulheres? Depois pensamos aquelas coisas trágicas. Se me acontece alguma coisa, espreitam-me o telemóvel e vão pensar o quê? (é a mesma teoria do “Filho, anda sempre com a roupa interior impecável”).

Os homens sofrem muito com a chegada do verão. E digo-vos, fartamo-nos de dar no duro para parecermos mais levezinhos. Há dias em que conseguimos fazer 3 séries seguidas da app Have Your Six Pack Finally! E o que custa. E a sede que dá. Só mesmo com uma cervejinha para acabar.

publicado às 16:20

Tributo a Paula Rego

por fernandodinis, em 11.05.17

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Colagem - 2017

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publicado às 19:59

A desculturação do Silêncio

por fernandodinis, em 03.04.17

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Tinham-se apaixonado um pelo outro só Deus sabe porquê. Mas quando entraram em contacto directo mútuo (…) a companhia exibicionista e ruidosa dela fazia-o retrair-se num embaraço (…). E a minha simpatia ia sempre toda para o meu pai (…) pareço-me muito com ele, e nem um bocadinho com a minha mãe. Lembro-me de como, bem pequenina ainda, eu me encolhia toda ante a sua exuberância. Com o seu feitio, ela constituía uma permanente invasão da privacidade de cada um.

A Ilha, Aldous Huxley

 

Que força impele variadas pessoas serem assim? De onde provirá a energia que alimenta este exibicionismo constante? Não será apenas uma conduta que as fortalece socialmente? O que significa afinal o silêncio para todos nós e para estas pessoas em particular?

Todos teremos alguém conhecido com estas características: um parente que monopoliza o jantar de família, um amigo que só os seus problemas são significativos e urgentes, um colega de trabalho que ruidosamente tagarela, aparentemente imerso numa exaltação que não lhe permite ter o discernimento de que poderá incomodar o trabalho dos outros; ou ainda, que as suas piadas serão sempre bem aceites, pois se não fosse o seu humor, todos estariam sorumbáticos a trabalhar. Há em todos estes casos uma auto-promoção, uma assunção de que os seus discursos não só são válidos como necessários aos demais. São pessoas que requerem a atenção constante de quem os rodeia.

Num mundo electrizante, o silêncio tornou-se um dos bens mais preciosos dos tempos modernos. Mas como olhamos para este bem, se afinal tantas pessoas fogem dele? Existe uma errada aculturação do silêncio. Lembremo-nos dos locais onde ainda crianças nos pediam silêncio: na missa porque deus ouve, nos cemitérios para não incomodar os mortos, na escola para não ficarmos de castigo, em casa a brincar porque o pai lê o jornal e depois ralha. O silêncio sempre nos foi pedido em forma de obrigação e sob pena de um castigo, de maior ou menor consequência.

Seguindo o excerto de Huxley “com o seu feitio, ela constituía uma permanente invasão da privacidade de cada um”, há algo mais forte do que incomodar os outros devido a uma visão errada do silêncio. Estas pessoas sentem monotonia quando deveriam sentir tranquilidade, sentem vazio (e este vazio ameaça-as) em vez de completude. Existem portanto más recordações do silêncio para que exista a necessidade constante de o desvirtuar e evitar.

O homem social é ginasticado para ter uma conversa fluente. Um vendedor vende mais se falar com eloquência. Um locutor de televisão é exímio quando consegue improvisar palavras para se atingir a hora certa do bloco de publicidade. Não importa afinal a mensagem propriamente dita, é sim imperioso que os silêncios não ocorram. Congratula-se a pessoa que esteve a fazer conversa como uma pessoa simpática, e castiga-se o silencioso que parece estar sempre a observar os outros como carrancudo. Voltando à infância, recordem-se do famoso “Estás tão caladinho, só podes estar a tramar alguma!”

A grande dificuldade em muitas pessoas meditarem é, logo à partida, o não aceitarem o ruido que o silêncio tem. Não se trata de contradição. Quando se medita - a máxima procura consciente do silêncio - a nossa concentração foge facilmente da respiração para o fugaz desenrolar de pensamentos, tantos, que se torna difícil abstrair-nos deles. É como se, portanto, eles gritassem ao ponto de perturbar a nossa meditação. E não serão estes pensamentos a escondida razão para que muitas pessoas não consigam meditar? Para que, finalmente, fujam do silêncio que os despoleta, evitando um confronto entre as vozes do interior (involuntária) e do exterior (deliberada/forçada)?  

Ainda que para muitos o silêncio seja tristeza e melancolia, para outros será alívio e bem-estar. É tempo de interiorizar uma nova importância ao silêncio e elevá-lo a uma condição indispensável à quietude prazerosa.

publicado às 11:24

publicado às 13:41

Em Março

por fernandodinis, em 14.02.17

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 Em Março será editado o meu novo disco Improvisações. Até breve.

publicado às 08:54


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